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Frejat se distancia do rock em música gravada sem bateria e com base em cordas
A música inédita lançada hoje por Roberto Frejat, Tudo ainda, distancia o artista carioca do mundo do rock, embora a gravação tenha sido formatada por Liminha, produtor musical associado ao gênero. Tudo ainda é composição assinada por Frejat em parceria com o poeta alagoano Adriano Nunes e com Mauro Santa Cecília, letrista de Por você, canção de 1998 que se tornou um dos maiores sucessos do Barão Vermelho na fase em que Frejat era o vocalista do grupo carioca. A distância do universo do rock se deve pela forma como Tudo ainda foi registrada em estúdio, sem baixo e sem bateria, tendo como base as cordas orquestradas pelo maestro e violoncelista Jaques Morelenbaum. Diferente da linha mais pop seguida pelo cantor na discografia solo iniciada em 2001, a gravação de Tudo ainda pode ser ouvida em single disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 23 de março de 2018, com distribuição feita via ONErpm.

Sobrinho de Caetano, J. Velloso carnavaliza a sofrência em single no ritmo do galope
"Ela me deixou...". Cantado duas vezes em tom esmaecido, logo no início da gravação, o verso da música inédita lançada neste fim de semana por J. Velloso sinaliza uma canção sentimental, embebida na sofrência. Mas logo depois a música cai em ritmo agalopado que realça a ironia destilada na letra de Em paz, composição assinada por esse cantor e compositor baiano – sobrinho de Caetano Veloso e de Maria Bethânia – em parceria com a conterrânea Thati. Produzida por Luciano Salvador Bahia, a gravação foi feita com o toque do grupo Skanibais. Lançado simultaneamente com clipe filmado com a participação do cantor e compositor Gerônimo Santana, o single Em paz carnavaliza a sofrência e é a primeira música revelada do repertório do terceiro álbum de estúdio de J. Velloso, Não sei se te contei, previsto para ser lançado em maio pelo selo Alá Comunicação e Cultura em edição viabilizada em parceria com a Altafonte. Em cena desde 1984, o cantor e compositor J. Velloso é também produtor musical, área em que obteve mais relevância por ter dado forma a discos como Diplomacia (1998), projeto lançado há 20 anos em tributo ao então recém-falecido sambista soteropolitano Oscar da Penha (5 de agosto de 1924 – 3 de janeiro de 1997), o Batatinha. Com repertório autoral, o álbum Não sei se te contei sucederá os CDs Aboio para um rinoceronte (2004) e J. Velloso e os Cavaleiros de Jorge (2009) na discografia do artista, cujo cancioneiro inclui músicas registradas nas vozes de Maria Bethânia, Mariene de Castro, Gal Costa e Daniela Mercury.

RC na Veia dá peso ao soul pop de Roberto Carlos no pulso da guitarra de Kisser
O maior sucesso do repertório do álbum lançado por Roberto Carlos em 1975, Além do horizonte, pode ser caracterizado como o derradeiro flerte do cantor com a soul music norte-americana. O arranjo orquestral da gravação original diluiu um pouco o espírito soul dessa luminosa canção composta por Roberto em parceria com Erasmo Carlos. Mas, em essência, Além do horizonte é soul. Tanto que a composição ganharia sintomaticamente registros posteriores de Tim Maia (1942 – 1998) – em tremendo dueto com Erasmo gravado para álbum gregário lançado em 1980 pelo parceiro de Roberto – e do grupo Jota Quest, que reviveu Além do horizonte em 2005. Contudo, a abordagem de Além do horizonte lançada em single neste fim de semana pelo RC na Veia – quarteto paulistano formado pelo baterista Dudu Braga, filho de Roberto, com Alex Capella (voz), Fernando Miyata (guitarra) e Juninho Chrispim (baixo) – é fiel à proposta do grupo de revisitar o cancioneiro de Roberto Carlos com pegada roqueira. No caso, o RC na Veia dá peso adicional ao derradeiro soul de Roberto, tocando Além do horizonte com o pulso da guitarra de Andreas Kisser. O músico do grupo mineiro Sepultura foi um dos convidados da gravação ao vivo de show captado em outubro de 2017, em apresentação na cidade de São Paulo (SP). Já disponível nas plataformas digitais, o single Além do horizonte é a primeira amostra oficial desse registro ao vivo que chega ao mercado fonográfico em abril em CD, DVD e em edição digital. Andreas Kisser, aliás, também participa da regravação do funk Não vou ficar (Tim Maia, 1969) feita com a adesão de Rogério Flausino, vocalista do grupo Jota Quest. O próprio Roberto Carlos entra em cena e se junta ao RC na Veia e em Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e no número coletivo que encerrou a apresentação com o recado de É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969). Rafael Ramos assina a produção musical da gravação do show do grupo RC na Veia.

Lâmina afiada de Dalva de Oliveira é evocada em álbum que celebra 100 anos da estrela
Lâmina aguda que atravessou os anos 1950 como facho luminoso a irradiar fracassos afetivos em repertório folhetinesco que aglutinava sambas-canção, boleros, tangos e sambas, a voz matricial da cantora paulista Dalva de Oliveira (5 de maio de 1917 – 30 de agosto de 1972) reverbera em álbum duplo lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de março de 2018 com o registro ao vivo dos dois shows realizados entre julho e agosto de 2017 para celebrar os 100 anos de nascimento da estrela ainda reluzente, inspiração do canto de outra diva daquela década, Angela Maria, não por acaso escalada para abrir o disco 1 com interpretação outonal do samba-canção Neste mesmo lugar (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, 1956). Idealizado e produzido por Thiago Marques Luiz, o tributo duplo Dalva de Oliveira – 100 anos ao vivo oscila como todo disco coletivo do gênero, mas o saldo é positivo. Inclusive por misturar cantores musicalmente identificados com o tempo artístico de Dalva – vista em foto cedida pelo Arquivo Público de São Paulo para o álbum e reproduzida do encarte da edição em CD do tributo – com vozes emergentes na multifacetada cena contemporânea nativa. Cabe ressaltar, a propósito, que o rigor estilístico do jovem Ayrton Montarroyos sobressai nesse disco 1 que reproduz 16 números do show roteirizado por Ricardo Cravo Albin e apresentado em 8 de julho de 2017 no Teatro J. Safra, em São Paulo (SP), cidade onde se radicou Montarroyos, cantor pernambucano que dá voz precisa a uma música pouco ouvida do repertório de Dalva, Não tem mais fim (Hervé Cordovil e René Cordovil, 1956). Cantor que ombreia com Montarroyos no posto de melhor voz masculina da atual geração, o gaúcho cosmopolita Filipe Catto reacende a aura sentimental do registro andrógino de contratenor para inventariar dores conjugais em medley que agrega Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins, 1950) e Errei, sim (Ataulfo Alves, 1950), títulos alusivos à ruidosa separação de Dalva e Herivelto Martins (1912 – 1992), partner da cantora desde os tempos pioneiros do Trio de Ouro. O inventário dessa dor de amor expiada em praça pública e em discos rendeu sambas-canção como Calúnia (Paulo Soledade e Marino Pinto, 1951), revivido com classe e emoção por Alaíde Costa em grande interpretação. A mesma classe foi posta por Célia (1947 – 2017) no canto de Mentira de amor (Lourival Faissal e Gustavo de Carvalho, 1950) na última gravação desta grande cantora que saiu de cena no ano passado e a quem o produtor Thiago Marques Luiz dedica o disco. Capa do álbum 'Dalva de Oliveira – 100 anos ao vivo' Divulgação / Biscoito Fino Com agudos virtuosos que remetem ao canto lírico de Dalva, Tetê Espíndola solta os pássaros na garganta, deixando escapar também parte da ternura melancólica que pauta o pioneiro samba-canção Linda flor (Yayá) (Luiz Peixoto, Marques Peixoto, Henrique Vogeler e Cândido Costa, 1929). Também lançando mão dos agudos, a digna dama do cabaré Cida Moreira soa mais atenta aos versos de Velhos tempos (1959), parceria improvável do carioca bossa-nova Carlos Lyra com o compositor fluminense Marino Pinto (1916 – 1965), hábil letrista de cinzentos sambas-canções como Segredo (1947), parceria com Herivelto Martins confiada a Claudette Soares, intérprete de mais bossa do que dramaticidade. Já Maria Alcina dribla a insuficiência do arranjo de Kalu (Humberto Teixeira, 1952) – baião que pedia instrumentos típicos da música nordestina –com a habitual vivacidade, se comunicando bem com a plateia. Edy Star também brilha ao simular um cabaré particular para interpretar o tango Fumando espero (Juan Villadomat Masanas e Félix Garso em versão de Eugênio Paes, 1955) com a devida passionalidade. Márcio Gomes enfatiza a opulência vocal ao emendar Ave Maria (Vicente Paiva e Jayme Redondo, 1950) e Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942) sem feitio de oração. Sem a preocupação de mostrar virtuosismo, Virgínia Rosa se prova intérprete segura ao cantar Teus ciúmes (Lacy Martins e Aldo Cabral, 1935) assim como a dupla As Bahia e a Cozinha Mineira se revela grata surpresa ao cantar o tango Eu tenho um pecado novo (Mariano Mores e Alberto Laureano Martínez em versão em português de Lourival Faissal, 1958) em ritmo de bolero, tal como fez Dalva, se saindo bem fora do natural ambiente sonoro das cantoras Assucena Assucena e Raquel Virgínia. Também merecem menções as intervenções das cantoras Xênia França, intérprete do samba-canção Pela décima vez (Noel Rosa, 1935), e Verônica Ferriani, que se confirma ótima cantora ao dar voz ao medley que junta Fim de comédia (Ataulfo Alves, 1953) com Não te esquecerei (Ana Luisa Costa Teixeira, 1960), música creditada equivocadamente no encarte do álbum aos compositores e ao autor da homônima versão em português de California dreamin' (1965), suceso do grupo norte-americano The Mamas and The Papas. Dalva de Oliveira Reprodução parcial da capa do álbum 'Dalva de Oliveira canta boleros' Com resultado mais irregular, a gravação ao vivo do show da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – também roteirizado por Ricardo Cravo Albin e apresentado em 24 de agosto de 2017 na casa de shows Imperator – tem aura mais kitsch. Entre altos e baixos, sobressaem a tarimba vocal das cantoras Áurea Martins, Júlia Vargas e Leny Andrade – intérpretes de Bom dia (Herivelto Martins e Aldo Cabral, 1942), Que será (Marino Pinto e Mário Rossi, 1950) e Há um Deus (Lupicínio Rodrigues, 1957), respectivamente – e a potência dramática da voz de Simone Mazzer, que acertou o passo do tango Lencinho Querido (El Pañuelito) (Juan de Dios Filiberto e Gabino Coria Peñaloza), na versão em português escrita por Maugeri Neto e lançada em 1954, sendo popularizada por Dalva em 1956. Cabe destacar também as ótimas participações de João Cavalcanti e Zé Renato, dois cantores que se desviaram do trilho dramático que conduziu tributo em sintonia com o tom sentimental de grande parte do repertório de Dalva. Cavalcanti caiu no suingue ao cantar o samba sincopado Copacabana beach (Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, 1958), pérola rara do baú da estrela. Já Zé Renato solou Palhaço (Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes, 1952) somente com o toque do violão eletroacústico. Contudo, é justo ressaltar que o canto exacerbado de Dalva ficou eternizado na história da música brasileira pela alta voltagem emocional. O que justifica que o tributo fonográfico seja encerrado com a interpretação sentimental de Hino ao amor (Hymne a l'amour) (Edith Piaf e Marguerite Monnot, 1950, em versão em português de Odair Marsano, 1956) na voz opulenta de Gottsha. A lâmina afiada da estrela Dalva de Oliveira cortava corações por expor emoções à flor da pele da alma humana. (Cotação: * * * 1/2)

Música indignada composta há 40 anos por Renato Russo ganha regravação coletiva
Música composta em 1978 por Renato Russo (1960 – 1996) para o repertório do grupo brasiliense de punk rock Aborto Elétrico, fundado por Russo naquele ano, Que país é este tem uma das letras mais virulentas e políticas da história do rock brasileiro. Uma letra com versos indignados que continuam atuais diante da situação social do país. Tal atualidade motivou a reunião do grupo CPM 22 com a banda de reggae Maneva, com o funkeiro MC Zaac e com a cantora Clau em regravação de Que país é este que será lançada em single nas plataformas digitais na última semana deste mês de março de 2018. O single será lançado 40 anos após a composição da música, embora Que país é este somente tenha tido o primeiro registro fonográfico oficial em 1987, feito para álbum da Legião Urbana, banda fundada por Renato Russo em 1982 na sequência da dissolução do pioneiro Aborto Elétrico. A música inclusive batizou o álbum intitulado Que país é este 1978 / 1987.

Após flertes com a MPB, padre Fábio de Melo volta às origens em disco 'diferente'
Após ter se aproximado da linguagem da MPB nos últimos dois álbuns de estúdio de discografia iniciada em 1997, Deus no esconderijo do verso (2015) e Clareou (2017), o padre cantor Fábio de Melo volta a entoar músicas religiosas de formato mais tradicional no álbum O amor me elegeu, previsto para ser lançado no início de abril através da Canção Nova. Com quatro músicas inéditas entre as 13 composições de repertório que inclui somente quatro canções de autoria do artista mineiro, o disco inclui músicas como Deus cuida de mim e Sinal de misericórdia, cujos títulos já dão o tom de oração do cancioneiro do álbum. Fábio de Melo caracteriza o álbum O amor me elegeu como um "retorno à simplicidade", como um disco "diferente". Chagas abertas, Filho de Davi, Minha raiz, Perdas necessárias e Vivo teu louvor são outras músicas gravadas pelo artista nesse 21º álbum da carreira fonográfica.

Primeira turnê dos Tribalistas começa em julho na Bahia e passa por nove capitais
Confirmada oficialmente em 19 de dezembro em rede social de Marisa Monte, após rumores na web, a primeira turnê do trio Tribalistas tem rota anunciada hoje, 28 de março, exatos quatro meses antes da primeira apresentação. A estreia do show está programada para 28 de julho na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), cidade natal de Carlinhos Brown e ponto de partida para a composição do repertório do segundo álbum do trio, Tribalistas (2017), lançado em agosto do ano passado. Com direção geral assinada por Leonardo Netto com o trio Tribalistas, direção de arte de Batman Zavareze e direção de produção de Simon Fuller, o primeiro show conjunto de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte – vistos acima em foto de Daniel Mattar – será apresentado em grandes espaços, percorrendo nove capitais do Brasil de julho a setembro deste ano de 2018 com roteiro que entrelaça músicas do disco do ano passado e composições do primeiro álbum, de 2002. Na sequência da estreia nacional do show em Salvador (BA), a turnê segue para Rio de Janeiro (3 e 4 de agosto, Marina da Glória), Recife (10 de agosto, Centro de Convenções), Fortaleza (11 de agosto, Centro de Formação Olímpica), São Paulo (18 de agosto, Allianz Parque), Porto Alegre (24 de agosto, Arena Beira Rio), Curitiba (25 de agosto, Pedreira Paulo Leminski), Brasília (1 de setembro, Arena Mané Garrincha) e, por fim, Belo Horizonte (7 de setembro, Esplanada do Mineirão). Tribalistas Divulgação / Marco Froner As vendas dos ingressos começarão em abril. Entre os dias 5 e 9 de abril, será feita uma pré-venda exclusiva de lote promocional, com número limitado de ingressos, aberta a qualquer pessoa. Para ter acesso ao benefício, é necessário se cadastrar em endereço específico do site da empresa de vendas Eventim até as 11h do dia 4 de abril. A venda de ingressos para o público em geral começa no dia 10 de abril, às 11h, através do site da Eventim e nos pontos de venda oficiais da empresa que comercializa os ingressos da turnê. O limite de compra é de até quatro ingressos por CPF.

Lucas Lucco apresenta primeiro single de EP acústico gravado à beira de lagoa
Lucas Lucco lança no fim de abril um projeto acústico intitulado.

Nando Reis se une ao duo Anavitória em turnê com show que celebra namorados
Nem bem chegou da Europa, onde apresentou com Gal Costa e Gilberto Gil o show Trinca de ases por sete países neste mês de março de 2018, Nando Reis se prepara para iniciar outra turnê de natureza gregária. O cantor, compositor e músico paulistano vai se juntar ao duo Anavitória em miniturnê que passará por cinco cidades do Brasil – Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – entre 8 e 12 de junho. Nando, Ana Caetano e Vitória Falcão – em foto de Victor Affaro – apresentarão show inédito criado para celebrar o Dia dos Namorados com ênfase em repertório romântico de autoria de Nando e de Ana Caetano, principal compositora do duo Anavitória. O trio irá se revezar nas interpretações das músicas. Eis o cronograma da turnê: ♪ 8 de junho (21h) – Recife (PE) – Teatro Guararapes ♪ 9 de junho (21h) – Belo Horizonte (MG) – Palácio das Artes ♪ 10 de junho (19h) – Curitiba (PR) – Teatro Positivo ♪ 11 de junho (21h30m) – São Paulo (SP) – Espaço das Américas ♪ 12 de junho (21h30m) – Rio de Janeiro (RJ) – KM de Vantagens Hall
